segunda-feira, 25 de julho de 2016

Prata, Terra e Lua cheia

Autor: Felipe Castilho
Gênero: Fantasia / Aventura
Páginas: 270
Editora: Gutemberg
Série: Legado Folclórico

Se você ainda não leu o primeiro volume dessa série, sugiro que dê uma passada nessa resenha aqui, antes de vir para essa, beleza?

Prata, Terra e Lua Cheia é o segundo livro da série O Legado Folclórico, onde temos de volta o menino Anderson que parte mais uma vez de Rastelinho em Minas Gerais, para a Organização em São Paulo. Dessa vez, Anderson terá de liderar a galera do Casarão em uma espécie de gincana que acontece a cada três anos numa ilha mágica, que flutua sobre as águas do país. Na hora eu liguei a ilha de Anistia (sim, esse é o nome do lugar) à ilha de Avalon dos contos celtas, já que a ilha do livro também segue escondida em névoa.

Animada com o primeiro livro, parti para leitura do segundo e senti uma mudança drástica no ritmo. A primeira parte me pareceu se arrastar um pouco. A trama começa a se tornar mais complexa, dá para perceber a evolução do personagem Anderson em relação ao primeiro livro. Ele está, digamos assim, mais ambientalmente responsável, mais consciente dos acontecimentos ao seu redor. Ele não é mais aquele garoto viciado em games. Nessa primeira parte, além de acompanharmos o amadurecimento do personagem, também conhecemos um pouco mais de sua rotina na escola e de como as mudanças de Anderson estão afetando as suas ligações familiares.

Depois ainda temos uns bons capítulos em São Paulo, onde outros personagens são apresentados e entre eles, está a Fernanda, uma garota gamer, mais ou menos da idade de Anderson. Ela só aparece no começo do livro e no final. Aqui ficou uma sensação de coisa vaga. Quando Fernanda apareceu, eu pensei que também embarcaria na aventura. Só que não. Imagino que essa personagem ainda venha a aparecer nos próximos livro da série. E por falar nisso, O quarto livro do Legado Folclórico tem previsão de lançamento só para o ano que vem, provavelmente na Bienal do Rio 2017. Tisc. O que me faz pensar umas duas vezes antes de partir para a leitura do terceiro livro...

E já na ilha de Anistia, que é onde a ação de verdade vai acontecer, somos apresentados ao Grande Caipora e à Jurupari, duas entidades míticas. O Grande Caipora é o guardião de Anistia, e Jurupari é o Senhor daqueles que estão em sono definitivo.
É óbvio que será preciso enfrentar Wagner Rios mais uma vez e que o desafio está ainda mais difícil do que no primeiro livro.

Temas como morte e “sonhos lúcidos” são retratados de maneira suave e ainda assim impactante. Destaque para a desenvoltura do intragável Pedro, um carinha muito chato do livro um.
Outra coisa muito interessante nesse volume é que outros personagens além de Anderson passam por um doloroso processo de amadurecimento. Incrível.

A capa dessa edição traz um clima mais pesado, com cores frias e um Anderson lutando pela sua sobrevivência de maneira quase selvagem. As ilustrações internas seguem o mesmo padrão gráfico de Ouro, Fogo e Megabytes, deixando o livro uma lindeza de ter na estante. Sério.

Um ponto desagradável, impossível de ignorar, foi que a revisão de texto me pareceu mais descuidada, comparando com o primeiro livro. Encontrei muita repetição de palavras durante a leitura, às vezes elas se repetiam na mesma frase. O que me deixou ainda mais cabreira foi ver que o meu exemplar já é a segunda edição de Prata, Terra e Lua Cheia e que, provavelmente, esses problemas vem desde a edição anterior sem receber atenção.

Mesmo com os probleminhas que falei, o livro vale sim a leitura, o clima mágico de fantasia folclórica se mantém, a trama está mais tensa, há apresentação de novos personagens e aprofundamento na mitologia proposta desde o livro um.

Leitura mega recomendada!

Até a próxima folks!
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