Amor pelas coisas imperfeitas

em terça-feira, 12 de abril de 2022

 


Autor: Haemin Sunim

Editora: Sextante

Gênero: meditação, autoconhecimento

Páginas: 288


Eu sei. Eu tenho lido umas coisas diferentonas. Mas esse blog é para isso, não é? Para falar do que tenho lido e de como tem impactado minha vida. 


Gostei tanto de "As coisas que você só vê quando desacelera" (já tem resenha aqui no blog) que assim que vi que tinha mais um livro do monge Sunim, eu nem pensei duas vezes em aumentar a minha coleção.


Assim como no livro anterior, Amor pelas coisas imperfeitas traz uma série de reflexões, mas nesse volume, elas estão voltadas para o que consideramos "dignos de amor". É uma leitura para se fazer aos pouquinhos, sorvendo as mensagens, permitindo que a nossa mente viaje pelas ilustrações aquarelas lindíssimas, dessa vez, produzidas pela artista Lisk Feng.


O livro tem um total de 8 capítulos, distribuídos ao longo das quase 300 páginas. O projeto gráfico é lindo e feito para o leitor já imergir na leitura a partir do primeiro toque. Enchi o livro de marcadores, para depois poder voltar nas citações que achei mais legais, ou que me tocaram muito no momento que estava passando durante a leitura.


Foi muito bacana, encarar uma leitura que me fez sentir "do outro lado da mesa". De repente, é como se eu me dispusesse a refletir um pouco sobre os temas apresentados no livro, mesmo sem ter me dado conta.  Temas como autocuidado, empatia e aceitação são tratados de maneira serena e com um ponto de vista que nos leva ao questionamento: por que fazemos isso? E para quem


Sem bordões marcados como "ser a melhor versão de si mesmo" ou "sua força de vontade é o que importa", Amor pelas coisas imperfeitas realmente nos leva a ressignificar a forma como enxergamos a nós mesmos e quem está ao nosso redor, em um mundo em busca de perfeição, mas sem receitas prontas, sem passo a passo.  Se trata de um livro que oferece uma jornada incrível, para quem ousar atravessar a ponte.


Leitura super amorzinho e indico para qualquer pessoa que adore ilustrações bonitas e temas reflexivos.


Vou ficando por aqui e...

Até a próxima, folks!

Talvez você deva conversar com alguém

em quarta-feira, 23 de março de 2022

 


Autor: Lori Gottlieb

Editora: Vestígio

Gênero:  biografia, psicologia, psicoterapia

Páginas: 448


Já começo essa resenha dizendo que se trata de um livro bem diferente do que eu costumo ler, mas ainda assim, uma das melhores leituras de 2021.

Imagine acompanhar algumas histórias de pessoas quebradas. Quebradas seja pela vida ou por outras pessoas, mas, sobretudo, por si mesmas. 


Agora imagine ver que essas mesmas pessoas quebradas encontraram um caminho para se tornarem livres, assumindo suas próprias histórias e tornando aquilo que as limitavam em sua maior força.  Até parece comercial da Polishop, né? 


Mas, bem diferente desses comerciais em que tudo parece simples e fácil, nós acompanhamos pessoas reais passando por um processo profundo de encarar a si mesmas. E o primeiro passo para isso é conversar com alguém. Alguém que esteja ali para te ouvir, para te confrontar e confortar, para te ajudar a ver que nem tudo é um bicho de sete cabeças e que, mesmo quando a coisa é complicada, há um caminho que estamos distraídos demais para enxergar.


Em "Talvez você deva conversar com alguém" somos apresentados a Lori, uma terapeuta, e seus pacientes. E cada paciente traz consigo uma história, que vamos conhecendo com o passar dos capítulos. E fora cada paciente, temos a história da própria Lori, que procura a terapia por estar passando por um momento difícil e esse momento difícil é apenas uma cortina que esconde motivos mais densos que ela tinha certeza de que estavam  resolvidos (só que não).


Eu poderia falar um pouco de cada história apresentada, como o caso da paciente terminal, ou do cara que parecia um tremendo idiota (e que, convenientemente, achava que todos ao seu redor eram idiotas), ou da senhora extremamente amargurada que estava disposta a dar cabo de si mesma. Mas o que quero falar desse livro não se restringe somente ás histórias contadas. O que quero falar vai um pouco além, está ali, nas entrelinhas das coisas que foram mostradas em vez de descritas.


Os dramas pessoais vividos pelos pacientes e pela própria terapeuta são um eco de todos nós, como se, de certa forma, fossemos ressonantes. E o que torna essa leitura tão especial é o fato de cada um ali ter se permitido expor suas fragilidades e encará-las.  A própria Lori precisou abrir mão do controle para deixar a terapia fluir. Entrelaçados aos capítulos, temos algumas explicações a respeito de métodos terapêuticos e termos usados em psicologia, inseridos com precisão cirúrgica para guiar o leitor durante a jornada de acompanhar os pacientes e também para nos situar das decisões tomadas pelos terapeutas.


A experiência de ler VPCCA (tive que apelar para sigla, o título desse livro é bem grande!) é tocante, ao mesmo tempo que nos prepara e nos educa. Nos prepara para termos um olhar menos unilateral, em que o mundo é regido apenas pelo o que vemos e nos educa a praticar, ou melhor, nos educa a "percebermos" a empatia. 


E por que digo isso? Somos seres sociais, vivemos em grupos. A empatia é algo que nasce conosco, mas muito raramente é utilizada. A partir do momento que passamos a perceber alguns detalhes de nós mesmos e dos outros, vamos "percebendo" a nossa empatia. 


A empatia é mais do que se colocar no lugar do outro. É saber que todos trazemos histórias e marcas, e que, muitas vezes, agiremos conforme nossas cicatrizes e esqueceremos que é possível aprender com elas sem que endureçamos nossos corações.


"Talvez você deva conversar com alguém" tem uma linguagem fluida e instigante. Nunca pensei que me envolveria tanto com um livro que é bem fora da minha zona de conforto literária. Admito que parte da minha empolgação com a leitura foi a curiosidade de saber onde aquelas histórias iam dar, ainda mais sabendo que eram histórias reais, mesmo que contadas de uma maneira romântica. Qual o desfecho daquelas pessoas? Era o que eu me perguntava toda vez que não estava lendo.


Leitura super recomendada para quem gostaria de conhecer um pouco mais sobre a terapia,  para quem gosta de casos reais de superação e para quem, assim como eu, adora ler!


Vou ficando por aqui e... até a próxima, folks!



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