quarta-feira, 9 de março de 2016

O Pequeno Príncipe não é um livro para crianças

Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Gênero: Dizem que é literatura infanto juvenil. Discordo.
Páginas: 158
Editora: Geração Editorial

Sim, esse post fala exatamente sobre o título. Não acho que seja uma resenha, mas poderia ser.
Li O Pequeno Príncipe e posso afirmar que não é um livro para crianças.

Pois crianças ainda sabem como é ser criança. E nós, os responsáveis adultos, esquecemos como sê-lo. Logo, este livro é um tratado para adultos que não querem deixar sua criança interior morrer. Ou para aqueles que esqueceram o que é ver o mundo com os olhos simples. Com os olhos de contemplação.

Não, O Pequeno Príncipe não é um livro para crianças. Um livro infantil não me deixaria em uma baita crise existencial. Não foi uma crise do tipo “de onde vim e para onde vou.” Foi uma crise estilo: “Óh céus, Que porcaria de adulto me tornei?”  Ao me perguntar isso, lembrei de imediato dos arquétipos perfeitamente adultos do livro, aqueles humanos esquisitos que habitavam os asteroides visitados pelo Pequeno Príncipe antes de chegar à Terra.

Um pouco decepcionada, constatei que tenho um pouco de todos eles. Mas o que mais me doeu foi lembrar que há um tempão eu deixei de enxergar o essencial. Deixei de ver com o coração para ver com os olhos. 


Você deve estar se perguntando, que biscoitinhos verdes mágicos eu cheirei antes de ler esse livro. Garanto que nenhum. Não consumi nada alucinógeno. Eu só... Eu só li sem reservas e sem pré- conceitos. Eu só li e deixei um garotinho loiro me guiar pelo deserto, me contando suas aventuras. Aventuras profundas demais para um menino tão novinho. Um menino com a sabedoria de um ermitão.

Contar a história de um dos livros mais traduzidos do mundo parece muito com chover no molhado, mas talvez você, assim como eu, tenha chegado à fase adulta sem tê-lo conhecido.

Um piloto cai no deserto e enquanto tenta consertar seu avião, acaba conhecendo um garotinho loiro e frágil, chamado de Pequeno Príncipe. O Piloto no inicio é apenas um adulto, que não quer dar trela para uma criança. Mas aos poucos ele começa a lembrar como era ver o mundo como um lugar grande o suficiente para se surpreender. Um lugar que pode ter um milhão de rosas iguais, e mesmo assim, nenhuma delas será como a tua rosa.

E assim, numa obra existencialista, cheia de significados sutis — criada com referências da vida conturbada do autor francês — é que me vi naquele silêncio de ter descoberto que ainda havia uma Dany criança de óculos enormes em algum lugar dentro de mim.

O Pequeno Príncipe não é só um manual de como ver o mundo como uma criança. É uma viagem sublime para quem deseja voar um pouco mais alto. Voar mais alto sobre si mesmo. Eu poderia passar linhas e mais linhas divagando a respeito dessa leitura. Mas não é necessário. Assim como também não é preciso provar uma coisa que só pode ser entendida através da experimentação. Para entender o que digo sobre o Pequeno Príncipe é preciso lê-lo.

O Pequeno príncipe não é um livro que se possa conhecer apenas pelas suas famosas citações. Engraçado que, mesmo reconhecendo as lindas citações durante a leitura, pude escolher minhas outras frases e trechos do livro, para chamar de favoritos. E esse aqui faço questão de dividir:



Este também não é um livro que se possa conhecer através do filme recente. O Pequeno Príncipe não é um livro que se possa resenhar. Ele apenas deve ser lido, simples assim.

Voltando um pouco ao planeta Terra, e me atendo a detalhes mais técnicos por assim dizer, essa edição de capa dura da Geração Editorial está lindíssima. Talvez um tanto colorida demais para o meu gosto, mas ainda assim, lindíssima. No final do livro, há um caderno com a biografia de Saint- Exupéry, um aviador francês de espírito indomável.

Adoro livros que me tiram do lugar comum, que me jogam em reflexões. Que me dão ideias e acendem fogueiras no espírito.


Até a próxima folks!
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