segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Betina Vlad e o Castelo da noite eterna

Autor: Douglas MCT
Editora: AVEC
Gênero: Fantasia, Literatura Infanto Juvenil
Páginas: 296

Betina Vlad e o Castelo da Noite eterna é uma aventura infanto juvenil, que nos apresenta Betina, uma garota orfã de 16 anos que vive na cidade fictícia de Cruz Credo, no interior de São Paulo.


Apesar de morar num orfanato chamado "Lar das Meninas" , Betina vive a maior parte do tempo na casa da família de sua melhor amiga, Lucila. As duas tem personalidades praticamente opostas. Enquanto Lucila é extrovertida e sociável, Betina é a "gótica" da escola com seu cabelo prateado de mechas pretas. O que ninguém sabe, ou acredita, é que o cabelo da Betina é assim mesmo desde que ela nasceu.

E fazendo jus à sua "gotiquêz" a garota é fã de Poe, Mary Shelley e adora ver filmes de terror e monstros. Ah, ela também é fã de várias bandas góticas. 


E uma vez que somos apresentados à vida de Betina, coisas estranhas passam a acontecer. Coisas estranhas como por exemplo, ser atacada por um outro aluno na biblioteca da escola e na adrenalina de se defender, virar fumaça. Literalmente.

Não muito depois, Betina foge às pressas da casa de sua amiga Lucila e precisa sumir da cidade de Cruz Credo. Ela conta com a ajuda de Madame Vodu, a misteriosa mulher que apareceu dias antes com a proposta de adotá-la.

E é então que a garota vai parar no Castelo da Noite Eterna, nada mais, nada menos, que a casa do Conde Drácula, pai biológico de Betina.

Sua chegada ao castelo nos apresenta outros jovens monstros, versões teen  de frankenstein, lobisomens, harpias, entre outros. O Castelo da Noite Eterna é um refúgio e um... tipo de centro de treinamento para que os monstros aprendam a se defender da humanidade.

Conhecemos alguns dos professores, também monstros ou humanos que acabaram adquirindo algum tipo de poder. 

Anda pra lá, anda pra cá, Betina vai aprendendo a lidar com os seus poderes, a enfrentar seus medos e a lidar com o seu pai recém descoberto. E por falar em descobrir... Betina fica sabendo que há uma garota da turma que desapareceu enquanto ajudava Madame Vodu a resgatá-la. Impulsiva como só ela, a protagonista se une com seus novos amigos e parte para salvar Maeve das garras dos humanos caçadores de monstros. E então, chegamos em novo arco da história, que só lendo mesmo para saber como termina!

Apesar de ser uma aventura dinâmica e divertida e de eu ter adorado a roupagem moderna dos monstros clássicos, algo me incomodou muito na leitura:  A voz da Betina. Muitas vezes tive a nítida sensação de que não era mais a personagem quem estava falando, mas sim, o autor. A mudança de tom na voz da personagem me fez perder o vínculo com ela várias vezes ao longo do livro.

Senti que faltou um trabalho um pouco mais apurado de preparação de texto, já que vi alguns parágrafos desnecessários, como quando são gastas 3 linhas para dizer que a Betina bateu a alavanca de uma porta.

Também houve um "mal aproveitamento" de personagem: Tyrone (um menino lobo cigano) foi muito bem construído ao longo do livro para então, no último capítulo, mudar da água pro vinho sem aviso prévio. Talvez seja apenas meu apego de leitora, e apesar do autor ter tomado o cuidado de dar algumas pistas sobre o Tyrone entre os capítulos, a mudança foi tão brusca que me custou a aceitar. A sensação foi de que o personagem precisava ser tirado do caminho.  Minha esperança é que o menino lobo seja resgatado nas próximas aventuras de Betina Vlad.

E mesmo que esses pontos tenham pesado, Betina Vlad e o Castelo na Noite Eterna tem seus pontos positivos e que me fizeram gostar da história: capítulos curtos, ações rápidas, personagens cativantes, boas cenas de ação, ótima sintonia entre os personagens. Uma leitura divertida para passar o tempo.

A luta final com sacadas de RPG também é um ponto forte da história, mostrando muito bem a dinâmica de combate do jovem grupo de monstros. O projeto gráfico é uma graça e no final do livro tem a ficha dos personagens mais recorrentes! Depois de ler, eu entendi várias referências espalhadas pela capa e contracapa, coisa que eu adoro fazer: procurar o que na história justificou a criação da capa, sabe?


Por hoje é só, vou ficando por aqui e me conta se você já leu um livro que gostou mesmo que algumas coisas tenham te incomodado na leitura!

Até a próxima folks!