terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A gótica que não gostava de fantasmas

Autoras: Regina Drumond e Giulia Moon
Gênero: Infantojuvenil
Editora: SESI- SP / Coleção Sombra
Páginas: 376

“ Rosas negras, apareçam! Vamos reinar sobre a luz!” (Vanda)

Viviane Bianco (mas a gente pode chamar de Vivi), 16 anos, é a protagonista de A gótica que não gostava de fantasmas. Sim, ela é a gótica e que não, não gostava de fantasmas. Mas ao longo do livro ela passa a gostar. Ou amar...

Vivi perdeu os pais num acidente de carro e sua irmã mais nova ficou numa cadeira de rodas depois disso. Com a morte dos pais, elas passaram a ser responsabilidade de Graziela, uma prima da mãe falecida. E bem aqui, uma vilã super malvada entra em cena. Graziela é de um mal tão maligno, que me perguntei se alguém poderia ser assim mesmo. Não precisa me responder.

Mesmo com vários motivos para ser uma pessoa triste, Viviane é corajosa, impetuosa, cabeçuda e, até certo ponto, rebelde. Mas acaba sempre seguindo o coração, mesmo que de um jeito meio torto. Afinal, ela é uma adolescente e precisa, simplesmente, viver.

Ah, tem mais um detalhe que eu ia esquecendo, mas que rege a trama: Viviane e sua irmã Veridiana, são muito, muito ricas. A tutora obviamente, não se importa com as meninas, mas suga a fortuna delas como um parasita. Só que ela está cansada de sugar... ela quer mais, muito mais.

Outro personagem marcante é Lucas, o filho de Graziela. O rapaz é dúbio e a gente nunca sabe o que ele realmente está pensando. O detestei todo o tempo e se eu tivesse mil olhos, todos eles se revirariam mil vezes durante cada cena dele. Pois é, ainda bem que não tenho mil olhos, já que o moçoilo em questão aparece o livro inteiro. Vamos lá, Dany. Suspira e continua.

A história se passa em São Paulo, e o bairro da Liberdade é um ponto de encontro de Viviane e seus amigos. Aliás, o grupo de amigos é uma das coisas mais legais desse livro. Juntos, eles fazem cosplays, embarcam em eventos, vão descobrindo a vida e como lidar com ela. Eu só nunca, jamais em tempo algum, vou me conformar com que fizeram com o Thales. E é só isso o que posso dizer sem dar spoiler. Humpf!

Confesso que, pelo titulo, eu esperava um pouquinho mais de “sobrenaturalidades”. Ainda mais quando é mencionado o poder da irmã menor da Viviane: Veridiana podia ver e falar com fantasmas. Mas digamos que, os toques sobrenaturais do livro, são singelos e até fofos. Nada de meter medo ou arrepiar a espinha.

Refletindo agora, enquanto escrevo essa resenha, percebo que os calafrios de medo vieram mais das atitudes de Graziela, a Maligna, do que dos fantasmas... No final das contas, as pessoas vivas conseguem ser bem mais assustadoras do que as próprias assombrações. Né? Né.

Achei o final um pouco corrido e brusco: as respostas das perguntas que se arrastaram durante todo o livro, vieram praticamente todas de uma vez.

A gótica que não gostava de fantasmas tem 26 capítulos e um epílogo, é daqueles livros com formato pequeno, fácil de levar na bolsa. Suas quase 400 páginas passam voando, resultado de uma escrita enxuta e capítulos dinâmicos. Só para ter uma ideia,  li em 3 dias durante as viagens de casa para o trabalho. Ah, e tem o detalhe de ter sido escrito a 4 mãos. Fico imaginando onde começou o trabalho da Regina e começou o da Giulia e vice-versa. Quem sabe um dia não resolvo esse mistério com um bom papo com as escritoras?


Leitura indicada para quem gosta de torcer pelos personagens e exclamar de vez em quando “não, sua anta, não faça isso!”. 

Até a próxima!
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