terça-feira, 24 de julho de 2018

De volta para casa

Autor: Seanan McGuire
Gênero: Fantasia
Páginas: 184
Editora: Morro Branco

"...e a única pessoa que pode lhe dizer como sua história termina é você".
Crianças sempre desapareceram nas condições certas: escorregando pelas sombras debaixo da cama, atrás de um guarda-roupa ou caindo em buracos de coelhos e em poços velhos, para emergir em algum lugar... diferente."


"De volta para casa" é um daqueles livros que pegou duas barateiras de surpresa e nos uniu em uma única resenha!

Primeiro, a Josy leu. E então ela pensou: não posso ler isso sozinha! E ela falou tanto que a Dany leu. E o resultado é esse post duplo, em que a gente vai tentar contar o que achou desse livro que, apesar de curtinho e de prometer uma fantasia fofa, nos pega desprevenidos e pá! Nos joga dentro de uma história cheia de suspense, terror e um tanto de fofurices (por mais estranho que isso pareça).

Nancy é uma garota que acabou de entrar numa escola especializada em "crianças desajustadas". Ah não, ela não cometeu nenhum crime. Não saiu por aí matando ninguém também. Ela só sumiu por um tempo e quando voltou, já não era mais como seus pais gostavam que ela fosse.

Ela assim com a Alice que foi para o País das Maravilhas, acabou encontrando uma porta que a levou para a dimensão do salão dos mortos. E depois de passar um tempo lá, foi enviada de volta para o lugar que tinha nascido. Porém ela já não era mais a mesma que tinha partido. Tinha encontrado o seu verdadeiro eu. Só que a verdadeira Nancy não era bem o que a sua família achava que era o certo. Então ela foi enviada para uma escola que prometia devolver as crianças normais para suas famílias.

E chegando lá, Nancy descobre que não há somente o Salão dos Mortos de outra dimensão para ir passear. Há o mundo das caveiras dançantes, das aranhas mil olhos, das fadas, dos doces falantes! Ela não foi parar em nenhum desses mundos. Ela só descobriu que todos os seus novos colegas também tinham encontrado outros mundos e assim como ela, desejavam voltar pra lá com todas as forças dos seus corpinhos. Exceto Kade. Ele era diferente.

E quando Nancy começa a se acostumar com aquelas maluquices todas, eis que... acontece a primeira morte na escola e as coisas vão ficando sombrias e assustadoras. E entre desconfianças e desaforos, a turma da escola vai precisar se unir para se manterem inteiros (e vivos) até o final do livro.

A Edição da Editora Morro Branco está lindíssima, com uma super capa dura e verniz destacando bem a imagem da porta.  Infelizmente, o título poderia ter uma tradução melhor do original que é Every Heart is a Doorway, algo como Todo coração é uma porta. E remete ao fato de cada criança ir para o local que seu coração chama, bem poético. 
De volta para casa parece título de novela das 20 ou Filme romance da Sessão da Tarde, e não remete em nada a fantasia da história.

Dany:

Fui pega de surpresa. Estava achando tudo muito fofinho quando apareceu a primeira morte. A escritora não ligou de ser malégna com a morte e a descrição de como estava o cadáver. Meus personagens favoritos são Kade, um garoto trans que se descobriu no mundo das fadas. A história dele é um pouco triste, pois, além de ter sido expulso do mundo das fadas, sua família não o aceitava mais. E pra ele só restou viver para sempre na escola "para crianças desajustadas". 

A maneira como esse personagem é retratado, me encantou: a autora lidou com isso com suavidade e naturalidade, como realmente deveria ser na vida real. Aceitar que cada um tem sua essência, tem sua alma e sua maneira de existir. Isso é essencial, e essa mensagem me cativou muito nesse livro. E acho que foi por isso que no final das contas achei a leitura super fofa! Até gravei um vídeo para o Canal Alcateia falando sobre "De volta pra casa".

Dou quatro baratinhas! (porque achei o final previsível, mas a leitura é super recomendada!)

Josy:

Quando peguei De volta pra casa pensei: Aff! Alice no País das Maravilhas... (Não era meu conto de fadas favorito). Mas ao descobrir que Nancy ia para um submundo e todas as outras crianças também tinham seus próprios universos particulares, a história me cativou.
Gosto particularmente de Jack, a cientista maluca que parou em um mundo tipo Frankstein, e por alguma razão me lembra Steampunk. 
Embora a Dany tenha achado o final prevísível, eu gostei dele e acho que se a autora quiser poderia fazer uma continuação sem problemas com qualquer personagem da trama, por que todos foram bem desenvolvidos com suas peculiaridades.

Dou quatro baratinhas também! (porque apesar de gostar do livro não chega a ficar no meu top favoritos da vida, mas talvez entre nos melhores do ano de 2018).

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