sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Maratona: O melhor do Crime Nacional Dia #04


Ep.04: O Assassinato de Cláudio Manoel da Costa



“Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendo
Do rosto do meu bem as prendas belas,
Dai alívio ao mal que estou gemendo.

Mas ah! delírio meu que me atropelas!
Os olhos que eu cuidei que estava vendo,
Eram (quem crera tal!) duas estrela”
Cláudio Manuel da Costa

Crimes, corrupção e mortes suspeitas, existem em nossa pátria amada desde sempre e esse é o tema do ultimo post dessa maratona! Apresentamos o processo de escrita de Jean Pierre Chauvin, autor do conto  "O Assassinato de Cláudio Manuel da Costa", que trás um pouco mais da história do Brasil para o projeto O Melhor do Crime Nacional.

O conto “O assassinato de Cláudio Manuel da Costa” foi escrito no prazo aproximado de treze horas – quase sem interrupção – precisamente no dia em que vencia o prazo para a inscrição no edital, anunciado pela Luva Editora, para integrar esta coletânea. 

Talvez por pesquisar e lecionar sobre a poesia árcade, há tempos alimentava a ideia de recontar os lances finais do advogado e poeta luso-brasileiro Cláudio Manuel da Costa, autor do poema épico Vila Rica, que foi encontrado morto em sua cela, na antiga Vila Rica, capitania das Minas Gerais, em 4 de julho de 1789 – dias após ser detido por ordem do governador, o Visconde de Barbacena, acusado de conspirar contra os desígnios da Majestade, D. Maria I. No conto, houve algumas adaptações, com vistas a tornar a leitura mais fluida: as ruas receberam nomes simples e fictícios, mas correspondentes ao mapa da vila. O local da morte do poeta também foi alterado (de acordo com seus biógrafos, Cláudio teria morrido na antiga Casa dos Contos, e não na Cadeia, vizinha à Casa de Câmara).

Ao priorizar diálogos entre as personagens, buscou-se conferir maior agilidade à narrativa. O título pressupõe que esse lamentável episódio receba o nome que diversos historiadores lhes deram (assassinato e não suicídio) – respaldados em documentos encontrados em meados do século XX.

E deixamos vocês com um trecho do conto:

Cláudio subiu a ladeira do Sabão às 9 horas e 12 minutos. Era um dia ensolarado e sem nuvens na capital das Minas Gerais. O poeta trocou dois dedos de prosa com o quitandeiro Luís, mas parecia ter pressa. Ao avistar a praça da Câmara, descansou um instante e sacou da algibeira um cantil com água ainda fresca, apesar do calor. Quando retomava a caminhada em direção à Travessia do Ouro, foi interrogado por dois soldados da guarda real.
- Quem vem lá?
- Cláudio Manuel da Costa, Desembargador de...
- Sabemos quem és.
- Pois então...
- Queira nos acompanhar.
Conhecedor das leis que vigoravam no reino, o poeta não continuou o debate. Temeroso, seguiu escoltado pelos soldados até a cadeia, que ficava ao lado da Câmara.
(...)

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