Quem Precisa de Heróis?

 


Autor: Vivianne Fair

Editora: publicação independente

Gênero:  Ficção, Fantasia, comédia, RPG

Páginas: 435

Quem precisa de Heróis, é um livro de fantasia que brinca com os arquétipos de personagens de RPG.

Sephira é a protagonista, uma Mary Sue, aquelas personagens super poderosas, habilidosas, imbatíveis e tudo o mais. Ela tem um poder capaz de destruir o mundo, e por isso cresceu presa em um quarto, numa vila de "magos seladores", classe de magos não muito forte, mas capaz de selar os poderes dos outros, embora também falhem nisso de vez em quando, hihihi.

A moça viveu desde a infância, isolada do convívio dos outros e até teve sorte de ser alfabetizada e contar com a empatia de uma moças que cuidavam dela e lhe trazia livros. E foi assim que ela adquiriu seu "conhecimento" de mundo. 

E então, num belo dia... Sephira consegue a chance de fugir da vila que a aprisiona, e no meio do caminho, recebe a ajuda de um grupo de heróis. Como ela foi avisada de que deveria evitar Heróis a todo custo, a sem noção mata quase todos sem um pinguinho de remorso ou gratidão por ter sido salva. E é bem aqui que a história começa: um bocadinho de sangue, uma Mary Sue maluca e um grupo de heróis intrometidos.

Depois de matar os heróis, Sephira continua em sua fuga, até encontrar Djin, um elfo ruivo bonitão (não que eu já tenha ouvido falar de algum elfo que não seja bonitão, mas você entendeu). Ela pensa se não deveria matá-lo também, mas alguma coisa naquele cara faz com que ela confie nele, mesmo de um jeito meio estranho.

Acompanhando a convivência de Sephira e Djin, a gente começa a entender algumas nuances da personagem, por exemplo: ela não era boa nem má, apenas detinha um enorme poder, capaz de explodir o planeta. Ela precisava de alguém para guiá-la pelo mundo e lhe fazer entender desde as coisas mais básicas como empatia e respeito, até as mais práticas, como por exemplo, não ficar pelada na frente dos outros (Não que tenha algum problema na peladêz, mas ela estava numa sociedade que reservava a nudez para momentos específicos, logo, seria bom se ela seguisse as normas, pelo menos, um pouquinho).

Pela personagem não ser dicotomica (nem boa, nem má), muitas vezes suas análises do que está acontecendo ao redor são de uma simplicidade que nos toca. Quando ela se confronta com os heróis ao longo do livro, rebatendo os motivos pelos quais eles fazem o que fazem e como podem julgar quem é digno ou não de ajuda, reflete perfeitamente a nossa capacidade, aqui na realidade de bater o martelo tão rapidamente ao julgar alguém.

De qualquer maneira, " Quem precisa de heróis" não vive só de reflexões existenciais. Esse livro é uma sátira aos clichês dos personagens de fantasia, e muitas vezes a autora quebra a quarta parede, nos dando a entender que os personagens sabem que estão em um livro. Tem muitas cenas muito bem humoradas e aliás, é o bom humor que mantém a trama lá no alto. Até o vilão da história é engraçado em sua vilanidade. Ah, e temos dragões nessa história. Tiamat é um bichinho de estimação de quinze metros de altura. E advinha só de quem é esse pet nada convencional? Isso mesmo, de Sephira!

Quem precisa de heróis me divertiu muito, e a versão física que eu tenho é uma edição comemorativa lançada em 2019, através de um financiamento coletivo. O livro conta ainda com várias ilustrações da autora que, além de escrever, é ilustradora e professora de desenho (além de cantar e fazer cosplay e costurar pelúcias suuuuper fofinhas!).

Sei que até agora eu não falei muito dos outros personagens, mas a verdade é que eles são muito cativantes. O grupo de heróis é completamente disfuncional, com um bardo que toca musicas terríveis, um bárbaro que é tão lindo que parece um modelo, uma guerreira turrona e casca grossa mas que se borra de medo de fantasmas, um mago meio atrapalhado e uma ninja que sempre se safa da morte para poder ressuscitar os amigos.  As interações do grupo são ótimas e ri muito dos diálogos deles. Sem contar que somos apresentados a mais camadas dos personagens ao longo do livro.

Outro detalhe que adoro: as notas da autora. As notas são um show a parte e eu particularmente achei muito divertido, pois esse recurso que me lembra aqueles vídeos de diretores comentando seus filmes, e contribuiu bastante na sensação de quebra da quarta parede, durante a leitura.

Leitura super recomendada para quem gosta de fantasia e comédia e está a fim de de sair da mesmice dos livros de fantasia.

Quem precisa de Heróis está disponivel em e-book, na Amazon. E para conhecer mais sobre a escritora desse universo, visite o Recanto da Chefa, clicando aqui.

Vou ficando por aqui e...

até a próxima, folks!