Desde sempre tive medo de me
perder. Não de me perder do caminho de casa. Mas de perder minha consciência.
De, de repente, eu não ser mais eu. E foi assim que descobri que existe um
ponto entre a loucura e a sanidade. Um ponto imperceptível.
Descobrir onde ele fica é muito
importante para não atravessá-lo. Isso só se você desejar ser normal para
sempre. Eu atravessei esse cercado de madeira podre e arame velho há muito
tempo. Tanto tempo que não lembro quando nem onde. A verdade é que ninguém liga
se você não é quem deveria ser. Porque no final ninguém sabe. Só você mesmo. E
é isso o que importa.
Acho que a minha mente ficou resvalando pra lá e pra cá antes de
acordar numa viela fedorenta. Enquanto me erguia e tentava entender o que
estava acontecendo, olhei para o céu e percebi a noite. Um poste na esquina mal
iluminava o lugar.
Uma coisa é certa: preciso começar a dormir em lugares mais
confortáveis. Tirei uma casca de banana da cabeça, meio grudada no meu cabelo.
Quem me jogou nessa lata de lixo?
