quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Crônicas de Leemyar II - A Espada dos Dragões

Autor: Eddie Van Feu
Gênero: Fantasia, Aventura
Páginas: 318
Editora: Linhas Tortas

“Estou a morrer...” — pensou — “E logo agora que estava gostando tanto de viver...”


Se eu tivesse que resumir a experiência desse livro em um único parágrafo, seria assim: Os heróis de Celtária passarão pelo desafio de manter muito além de seus corpos intactos — Eles terão de lutar por suas almas! — Não é exagero nem drama. É isso e ponto final. Como esperar vencer uma batalha em que sua alma pode ser despedaçada sem retorno? Como manter o foco na vitória quando há tanto a perder?


A Espada dos Dragões é o segundo volume da Série Crônicas de Leemyar e foi lançado na bienal do Rio 2015. Claro que eu peguei o meu exemplar lá, pois já conhecia a galera de Celtária do livro 1 e estava doida para voltar para a cidade de Leemyar. Inclusive tem resenha do primeiro volume bem aqui.

A história começa apenas doze dias depois da loucura de zumbis soltos na terra, do livro anterior. Então tudo ainda é muito recente.

Os mentores do Campo de Treinamento “High Honor”, recebem a missão de localizar um jovem elfo que sumiu, deixando um rastro misterioso. As pistas apontavam para a cidade de Serenidad e a trupe inteira resolve ir para lá, em grande parte, motivados por uma questão que me recuso a dizer para não dar spoiler.

Por várias razões inesperadas, como libertar elfos da escravidão e espancamento de velhinhas, o grupo de amigos acaba passando alguns bons meses na cidade que nunca dorme. E durante esse tempo, a união do grupo sofre uma espécie de ruptura, levando cada um a enfrentar perigos e frustrações mais intensas que demônios ou zumbis. Afinal, o que é mais terrível que as nossas próprias sombras? Bom, a galera de A Espada dos Dragões descobriu.

Vale lembrar que mesmo em um grupo de amigos, cada um continua sendo um individuo, com seus próprios caminhos. Mas, como em toda família, às vezes a gente esquece disso e quer viver pelos outros, ou pior, às vezes nós queremos que as pessoas em quem confiamos vivam de perto o que estamos passando, seja bom ou ruim. Né? Né.

A aventura desse livro vem em ondas: às vezes me fazia rir, e algumas muitas vezes me fez chorar. Eu fiquei tão envolvida com os personagens que não conseguia simplesmente fechar o livro sem querer saber o que vinha em seguida. E foi assim que ele acabou rapidinho.

Depois das aventuras em Serenidad, tudo levava a crer que o livro tinha terminado, embora houvesse ainda uma boa quantidade de páginas. E como se eu não tivesse chorado o bastante, me remoído o bastante e torcido o suficiente, lá vem o golpe final. Ou melhor, os vários, malignos e terríveis golpes finais. 

No final da leitura, uma mensagem muito clara ficou marcada na minha cabeça. Quanto vale uma amizade verdadeira? E uma família de amigos, quanto vale? Ás vezes, dói admitir que nossos amigos não são perfeitos e que nem sempre estarão ao nosso lado. Mas amigos de verdade sempre estarão onde deve estar: em nossos corações e viverão nossas batalhas tanto quanto nós viveremos as deles. Então posso dizer, sem medo, que A Espada dos Dragões é um livro que fala da essência da amizade, de amor, dor e escolhas. E também fala de vingança e o quanto nos tornamos frágeis quando nos sentimos sozinhos.

A narrativa continua fluída, com ótimos momentos de bom humor! O que, convenhamos, é muito bem vindo nesse livro, bem mais pesado que o anterior. Os capítulos são curtos e puxam naturalmente uns aos outros, tornando a leitura rápida.

Só não podemos cometer o erro de achar que, por ser uma leitura rápida, ela não seja profunda. Muito pelo contrário. Os personagens estão mais vivos do que nunca nesse segundo volume, que conta com a participação linda de DRAGÕES. Eu amo dragões. Quando eles parecem num livro, meu coração enche de alegria!

Outra coisa que tenho curtido nessa série é que, por mais que tenha um cenário de fundo abrangente, as aventuras começam e terminam no mesmo volume, então eu não preciso ficar jogada no chão,  ansiosa pelo desfecho que só virá em outro livro.

Confesso que aguardo o próximo livro da série um tanto temerosa pelo futuro dos personagens. Sei o quanto a escritora Eddie Van Feu pode ser má. Uma Guerra de Luz e Sombras e Alcateia que o digam. Então fico com o coração na mão e ao mesmo tempo super curiosa sobre o que está por vir!

Leitura mega recomendadíssima para quem curte fantasia, mas não abre mão de bons personagens e de ótimos enredos! E se você não liga muito para gêneros literários e gosta mesmo é de uma história bem contada, que te faça rir e chorar e achar que é bipolar, manda ver sem medo.

E que venham os próximos livros da série! Estarei aguardando nas escadarias do Templo de Leemyar.
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