segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Como Tatuagem

Autor: Walter Tierno 
Gênero: Romance
Páginas: 308 

Editora: Verus Editora

Em Como Tatuagem nós conhecemos Arthur, um filhinho de papai, machista e sem noção. Um verdadeiro cruzamento entre o ser humano mimado e a estupidez. Também conhecemos Lúcia, uma fisioterapeuta que apesar de nova é super competente e cresceu tendo de lidar com o preconceito de alguém que é portador de vitiligo.

Arthur perdeu as pernas num acidente de carro e se recusa a receber tratamento, a acordar de novo para uma vida que traria muito mais desafios do que no seu passado de atleta de taekwondo. Isso começa a mudar quando ele conhece Lúcia, que o confronta de maneira honesta e mostra que não, ele não é o último biscoito de polvilho do pacote, mas mesmo assim a vida continua, com ou sem as pernas.


Óbvio que eles se envolvem e mergulham nessa coisa estranha que é mostrar o seu melhor e pior lado para alguém e torce para a outra pessoa não sair correndo quando você mostrar que não é essa coca-cola toda (se não fosse assim, não seria um romance, seria?).

No entanto, não foi a história que me chamou atenção nesse livro, tão pouco os dilemas de cada personagem, mas a forma como cada um vai se (des)construindo ao longo do livro. Athur e Lúcia são quase reais: uma colcha de ecos de tudo o que forma um ser humano. E isso não se resume aos personagens centrais, cada nova pessoa que surge tem aquele ponto que nos reflete, ou nos lembra alguém muito próximo.

A narrativa é fluída, um passeio pelas mentes de Arthur e Lúcia, que se revezam entre os capítulos, contando a história em primeira pessoa. É muito interessante ver o desenrolar das coisas pelos olhos dos dois.  Isso me fez lembrar que eu já tentei ler um livro com essa construção antes (e foi uma das piores coisas que eu já tentei fazer na vida em matéria de leitura); e fiquei de pé atrás quando percebi que Como Tatuagem teria esse formato. Mas então eu respirei fundo e matutei com meus botões:  “Foi o Walter quem escreveu esse aqui. O cara que escreveu Cira e Anardeus. Continua, você sabe que ele não é de fazer lambança.” E o resultado foi que, Como Tatuagem foi um dos melhores livros que li em 2016. Sem puxa-saquismo, demagogia ou qualquer outra palavra que exista para descrever falsidade.

Leitura super indicada para quem curte romance, personagens bem construídos e boa narrativa, e para quem adora histórias que engolem o leitor. Afinal, tem livros que a gente devora e livros que devoram a gente. Bom, Como Tatuagem está mais para a segunda opção e vai bem além do envolvimento afetivo entre dois personagens: fala de preconceito, auto aceitação, força de vontade, determinação e superação.


Como Tatuagem é aconchegante, áspero e trágico, assim como é a nossa vida aqui fora, mas com aquela mensagem intangível de esperança: não importa o que aconteça é você quem escreve o seu final.

Até a próxima! ;)
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