sexta-feira, 28 de abril de 2017

Dois Para Conquistar

Autor: Marion Zimmer Bradley
Gênero: Fantasia / Ficcção Cientifica
Páginas: 390
Editora: Imago / Círculo do Livro

No mundo de Darkover, somos apresentados ao período do Cem Reinos. Neste época o mundo estava partido e repleto de conflitos de território, havendo rumores de uma possível unificação sob uma única bandeira: o clã Hastur, que se diz descendente dos Deuses.

Neste cenário conhecemos Bard di Asturien, um guerreiro feroz e famoso por usa audácia. Ele é o filho bastardo de Rafael di Asturien e foi criado na corte sob a tutela do irmão de Dom Rafael, sendo tratado como um dos herdeiros legítimos com todas as regalias.
Mas longe de ser carismático, Bard é mimado e detestável, machista e todos os defeitos que vocês podem imaginar. Ele também tem um temperamento violento e imprevisível. Ele culpa os outros pelos erros de sua vida quando as coisas não dão certo. 

Sua crise começa quando ao ver sua prima que considera sua prometida Carlina, Bard tenta estupra-la. Sim, você não leu errado. Para completar Bard possui um Laran (dom, poder psiquico) de compulsão: Ele pode entrar na mente das pessoas e compelir elas a fazer o que ele quer. 

Este é o maior erro dele. Ao tentar forçar Carlina com seus poderes e ser descoberto, Bard é exilado e destituído de sua herança por sete anos. Ele então jura voltar e vingar-se e ter novamente Carlina como sua esposa.

Carlina fica como vítima chocada e extremamente traumatizada, tendo este momento definido como viveria sua vida a partir dai. E longe de amor, tudo que sente por Bard é um medo assustador.

No seu exílio, Bard começa a ser conhecido como "Lobo de Kilghard" e se torna um famoso mercenário e ainda mais gênial como guerreiro. 

Porém quando o rei morre, Bard retorna a sua casa ainda obcecado por sua prima (ele não a ama, só a quer porque ela o rejeitou). O rei deixou um herdeiro bebê, e como tutor Dom Rafael assume com a ideia de governar a seu modo o reino e uni-lo em um só e para isto ele crê que Bard seja o grande unificador. Mas apenas um Bard não daria conta de Cem Reinos... talvez se houvesse dois...

Este é o ponto chave da trama. Em Darkover, a magia é feita por telepatas em torres e algumas produzem armas terríveis que vão destruir territórios e vidas no que é conhecida como a Era do Caos. 

Dom Rafael usa um circulo de telepatas para pedir que busquem em todo o universo, uma duplicata exata de Bard. Não um gêmeo, não um clone, outro Bard. O mesmo Bard.
Então eles encontram em um planeta esquecido chamado Terra, um prisioneiro chamado Paul.

Ele tem o mesmo gênio e personalidade de Bard e estava preso na terra por atacar uma mulher, mas ao acordar no planeta de Sol Vermelho alguma coisa muda em Paul. Ele vê como  uma nova chance e embora ele seja Bard, ele também não o é.

Este é um dos livros que renderia muitos debates filosóficos tanto sobre ética, como sociedade e moral. Mas, acima de tudo é uma das melhores tramas do universo Darkover.
Gosto muito do livro e do anti-herói que o representa, Marion consegue passar todas as sutilezas e mudanças que ocorrem no interior dele e no fim do livro, ele é outro homem. 
Mas para saber o que acontece vocês terão que ler. 

Como é uma edição antiga vocês podem facilmente encontrar ele em sebos por um preço agradável ou em bibliotecas na sua cidade.
Para terminar vou deixar um trecho do livro do encontro de Bard e Paul:

" E, então, a porta abriu-se e o homem com o seu rosto entrou no quarto. 
Não se tratava de uma semelhança, como sucede com irmãos ou gêmeos. Ele próprio.
Assim como ele, o homem tinha cabelos louros; mas no estranho homem eles eram espessos, longos e estavam trançados e amarrados com uma corda vermelha. Paul jamais conhecera alguém que usasse os cabelos daquela maneira. 
...
-- Você é eu! - explodiu ele.
-- Não exatamente, mas quase isto. E for por isto que o trouxemos para cá - replicou o outro homem. 
...
-- Se você é eu - disse e cerrou os punhos - , então quem sou eu?
Paul respondeu com uma risadinha um tanto apressada:
-- Talvez você seja, no final das contas, o demônio. "

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