domingo, 19 de novembro de 2017

A longa viagem a um pequeno planeta hostil

Autor: Becky Chambers
Gênero: Ficção Cientifica, Space Opera.
Páginas: 347
Editora: Darkside

Neste romance de estreia, Becky Chambers nos conduz de forma extraordinária por uma viagem pelas estrelas a bordo da nave Andarilha. Através de sua tripulação somos apresentados a novas especies e culturas que tem alguns de nossos mesmos hábitos e questionamentos.
Rosemary Harper acabou de conseguir seu primeiro emprego em uma nave como guarda-livros. Não uma nave qualquer, mas uma nave perfuradora de túneis. Eles literalmente abrem "rasgos" no tecido do universo e criam buracos de minhoca que se tornam túneis para encurtar viagens espaciais. Mas, não foi por isso que a moça buscou este emprego. Algo em seu passado a fez fugir de sua casa em Marte, e talvez volte a assombra-la em um futuro próximo.

Além de Rosemary, os outros humanos da nave são: Ashby o capitão, ele contrata Rosemary por que é péssimo para organizar a papelada burocrática da nave. Temos Corbin que cultiva as algas que são usadas como combustível pela nave. 

Como a Andarilha é uma espécie hibrida, composta de partes de outras naves extintas isso exige reparos constantes, nessa hora entram os mecânicos Kizzy e Jenks, que tem uma preferência especial pela inteligência artificial da nave, chamada de Lovelace.

Como os alienígenas da nave temos Sissix, uma aandriskana (espécie reptil que me faz lembrar a Madame Vastra de Doctor Who) ela é a piloto da nave. Ela navega com auxilio de Ohan, um sianat par. Esta espécie tem a singularidade de ser hospedeira de um vírus que  faz com que sejam duas pessoas ao invés de uma (sim, é meio complicado).

Tripulação da Andarilha: Ohan, Ashby, Sissix, Dr. Chef, Jenks, Kizzy, Rosemary e Corbin. Arte de Wayfarer Crew.
Dr. Chef é o doutor e o chef culinário da nave e sempre sabe fazer excelentes baratinhas assadas gigantes por lá, ele é um Grum. Seu povo está a beira da extinção pelas constantes guerras eles também alternam o sexo durante as fases da vida, tendo gênero flúido. No momento em que trabalha na nave, Dr. Chef é masculino.

Toda este pessoal junto longe de ser confuso, fica maravilhoso. Becky consegue desenvolver a história e personalidade de cada um dos personagens. Suas diferenças culturais trazem diversos debates de temas como racismo, liberdade sexual e até eutanásia. 

Longe de ficar um livro pesado, ele é leve e divertido. Como se estivéssemos numa reunião de amigos e fossemos também parte da tripulação. Torcemos pelos personagens em suas vidas diárias.

Nenhum deles está numa saga épica para salvar o universo ou se vingar pela morte de alguém. Todos estão apenas na vida cotidiana espacial e somos os convidados da trama.

A edição da Darkside Books está primorosa como sempre. A capa brilha com seu céu estrelado e nós faz sentir vontade de olhar para ela o dia inteiro.

Fazia muito tempo que eu não encontrava um livro tão apaixonante e bom de ler. Este é um que com certeza agora é parte da minha biblioteca permanente. E você? O que está esperando para embarcar nesta viagem a um pequeno planeta hostil?



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