Quadrinhos da minha estante #12

 


Hoje eu trouxe um quadrinho que estava na minha estante há, pelo menos, uns quatro anos. Bom, eu o trouxe comigo da bienal do Rio 2017, estamos em 2021... é, bem por aí mesmo. Sim, eu compro um monte de livros e quadrinhos e acabo lendo meses, às vezes, anos depois. E nem por isso as leituras ficam menos interessantes ou datadas. Como no caso do quadrinho de hoje que eu amei e pensei: "nossa, como não li isso antes?"


Em Peek a Boo - A masmorra dos Coalas nós conhecemos uma garotinha chamada Mambay, a gatinha Cassandra e Apolônio, um garoto que tem alergia a sol  e é... peixatariano. Ah, e não posso deixar de citar o Bruce. Ele é um morcego mil e uma utilidades super incrível.


Peek a Boo - A Masmorra dos Coalas


Autor: Psonha

Editora: Astral Cultural | Selo: Plot!

Gênero: Quadrinhos, Ficção, aventura, infanto juvenil

Páginas: 128

A história começa com Mambay sendo obrigada por seus pais a acampar. Ela e sua gatinha são inseparáveis, por tanto, as duas embarcam na viagem com os pais desnaturados. Chegando lá, eles conseguem perder a Mambay, que se embrenha na floresta e encontra uma casa na árvore. Eis que, na calada da noite, durante uma tempestade pavorosa, surge na casa da árvore, Apolônio e seu morcego, Bruce. Não, eles não queriam jantar a Mambay — é que aquela era a casa deles mesmo.

O garoto se compromete a acompanhar Mambay de volta ao acampamento, tão logo a chuva acabe. Só que as coisas não são tão simples assim, né? E é bem aqui que uma aventura muito maluca, cheia de cores e elementos inesperados começa. 

Os personagens são super carismáticos e temos ótimos diálogos. Enquanto Mambay é reclamona, não tem papas na lingua e admite ser uma chatonilda de carteirinha, Apolônio é educado e cortês e não entende bem por que, a despeito de todas as malcriações que tem ouvido desde que conheceu aquela garota, ainda está disposto a ajudá-la.

Esse é o primeiro trabalho que conheço, da ilustradora Psonha. As cores me encantaram e amei o estilo
Apolônio, Mambay e Pafúncio

de desenho dela, que, na falta de eu conhecer um nome melhor, vou chamar de "cartum  autoral". O enredo é divertido e leve (tem alguns trocadilhos em referência a cultura pop pré anos 2000), mas mantém uma pegada aventuresca e de transformação em certa medida da protagonista. Afinal, uma garota da cidade e que vive uma aventura maluca assim em uma floresta sem wi-fi nem papel higiênico, não pode dizer que voltou para casa da mesma maneira que saiu, né?

Os diálogos ficaram a cargo de Thiago Ossostortos, (já li Kombi 95 dele e pretendo falar desse quadrinho também em breve) e são um show a parte. Por falar em show, eu adorei os nomes dos personagens, não só dos protagonistas e seus pets, como os nomes de outros personagens, como o garoto Pafúncio e seu chapéu napoleônico e da Raposa pet. Sério a Raposa Pet é um espetáculo e a página dupla em que podemos vê-la por inteiro é a coisa mais "iti malia, que cuti-cuti me-tira-daqui-se-não-eu-vou-apertar-ela".

O projeto gráfico tá absoluto de lindo, capa dura, miolo colorido em couché, e tem um padrão de estampas muito lindinhos nas folhas de guarda, um mimo que dá vontade sim de deixar na estante embelezando a vista.

Leitura super bem humorada e indicada para quem quer uma aventura leve e com elementos que até podem passar por non sense, mas que na verdade, fazem todo o sentido no universo criado pela Psonha.


Vou ficando por aqui e... até a próxima, folks!