— Não tenho certeza se quero fazer isso, Zig. — Disse Vinni,
jogando uma bituca no chão e amassando com o coturno.
Estávamos no muro dos fundos do cemitério Necrópole. Era meio da
tarde de um domingo. Na Avenida Cardeal Arco Verde, quase ninguém passava. Um
carro ali, outro aqui. E ninguém mais à vista. Era estranho pensar que no dia
seguinte aquele mesmo lugar estaria apinhado de gente, de carros e alto-falantes,
de lojas berrando suas promoções. Mas naquele momento, não. Era tudo calmo.
— Não vale dar pra trás agora. — Respondi. — Você que quis vir de
dia. Podíamos ter esperado até a noite.
— Nem pensar! Detesto cemitérios. São horripilantes de dia,
imagina à noite! Nem pensar, sua maluca!
Pulamos o muro que não era tão alto. Do outro lado nos apoiamos
sobre uma lápide alta. Entramos rapidinho.
E começamos a caminhar apressados entre os jazigos. O cemitério parecia
ser bem antigo.
— É por aqui. — Vinni falou apontando para um corredor estreito
formado por uma fileira de lápides e o muro que havíamos acabado de pular.



