quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Quadrinhos da minha estante #05

Sinal e Ruído


Autor:  Neil Gaiman | Arte: Dave MCkean
Páginas:  96
Editora: Conrad Editora
Série: Volume único [Edição Especial]

Olhando hoje para minha estante, percebo que a maior parte dos quadrinhos que tenho são do Neil Gaiman. Não consigo lembrar se tive um surto ou se foram pequenas crises de abstinência. Me senti órfã quando Sandman terminou. 

Na verdade, me senti sem o meu alucinógeno em quadrinhos e passei a consumir outras histórias do Neil. Poucas, admito, me marcaram como Sinal e Ruído, mas ainda assim deixaram rastros doloridos como Mr. Punch e Violent Cases, por exemplo.

Eu já disse que não sou uma gourmet de quadrinhos. Não manjo nem mesmo das estruturas básicas de quadrinização. E isso foi muito útil para mim quando peguei Sinal e Ruído pela primeira vez. Eu apenas peguei aquela capa louca e trouxe comigo para casa.

A primeira coisa que me chamou atenção foi a ilustração maluca na capa, uma espécie de ser onírico segurando uma montanha entre nuvens. Acho que me remeteu direto às capas de Sandman, mesmo que na hora eu não tenha me dado conta disso.

Como sempre, os nomes dos caras que tinham feito aquela graphic novel  tiveram peso na decisão final. Paguei, peguei e levei. E por que estou enrolando tanto para falar sobre essa HQ da minha estante? Bom, talvez pelo fato dela ainda me trazer uns arrepios estranhos no alto da cabeça, como se uma chave virasse toda vez que eu leio o título Sinal e Ruído.

Acontece que eu fiquei numa baita crise existencial depois de ler Sinal e Ruído. E falo tão sério quanto poderia dizer. Um cineasta recebe a noticia de que está prestes a morrer, mas antes ele resolve terminar o filme que está produzindo em sua cabeça. O tempo inteiro passeamos entre o real e o mental e às vezes eu me perdia sem saber exatamente onde estava entre esses dois pontos.

Lendo sinal e ruído, descobri medos que nem tinha. Como morrer sem deixar nada de útil para quem ficar. Medo de não deixar a tal marca no mundo. Medo de não ser, nem por um minuto, lembrado como gostaria. Parecem preocupações inúteis ( talvez até realmente sejam) mas quando você sabe que logo vai morrer, qualquer coisa pode tomar uma importância inédita.

As foto-colagens-montagens de Mckean me deixam até hoje meio alucinada, como se o cérebro tentasse codificar coisas que nem estão ali.

Acho que assim como Apagão, essa HQ é fácil de encontrar e tem precinho camaradinhas.

Bom, acho que é isso!

Até a próxima!
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